NEGULEU, Blog Morto de Releituras, Recolagens, Arremedos e Imitações.


Quarta-feira , 30 de Novembro de 2016


Lembranças, só lembranças.

Lembrando há pouco, no almoço, essa música na voz e interpretação da mãe. Me soou vivíssima e atualíssima melodia e letra. Notem que, aparentemente, na letra desse que foi considerado o "primeiro forró", Luiz Gonzaga "con-funde" Forró e/com Samba. Estranhas lembranças. Só lembranças.

 

FORRÓ DE MANÉ VITO

(Luiz Gonzaga e Zé Dantas)

Seu delegado, digo a vossa 
senhoria 
Eu sou fio de uma famia 
Que não gosta de fuá 
Mas tresantontem 
No forró de Mané Vito 
Tive que fazer bonito 
A razão vou lhe explicar 
Bitola no Ganzá 
Preá no reco-reco 
Na sanfona de Zé Marreco 
Se danaram pra tocar 
Praqui, prali, pra lá 
Dançava com Rosinha 
Quando o Zeca de Sianinha 
Me proibiu de dançar 
Seu delegado, sem encrenca 
eu não brigo 
Se ninguém bulir comigo 
Num sou homem pra brigar 
Mas nessa festa 
Seu dotô, perdi a carma 
Tive que pegá nas arma 
Pois num gosto de apanhar 
Pra Zeca se assombrar 
Mandei parar o fole 
Mas o cabra num é mole 
Quis partir pra me pegar 
Puxei do meu punhá 
Soprei o candieiro 
Botei tudo pro terreiro 
Fiz o samba se acabar.

 

78 RPM V800668b€ 1950

https://fabiomota1977.wordpress.com/2010/07/20/luiz-gonzaga-lancou-o-forro-ha-60-anos-forro-de-mane-vito-1950/ 


Escrito por Neguleu às 15h18
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Terça-feira , 08 de Novembro de 2016


Eu nem no Enem 2016.

 Afinal é quase isso: a desfinalidade. 

De chinelos, descalço, barbicha branca, cabelão abranqueando e despenteado, uns filetes d'água do banho recente escorrendo pelos fios. Barrigão enorme em forma de estranha parábola deitada (exponencial?).

(Às vezes nesse silêncio sinto falta do ratinho que matei com o veneno que o amigo dono do bote me presenteou. Estranha forma auto imune de matar essa através do envenenamento. Com a vassoura não consegui. Botei ele pra fora. No outro dia, tava lá de novo: feio, nojento, pequeno. Na cerveja da noite, o amigo experiente me entregou a solução na forma de sementes de girassol envenenadas. Tá, a culpa foi do rato. Ele comeu. Eu praticamente não fiz nada. Nem o veneno comprei: Foi presente. Eu dei chance, não dei? Empurrei ele pra fora com a parte fofa e macia da vassoura. Por que ele tinha que voltar no outro dia? 

 

Mas 0 0ilêncio? O rato, o barulho respeitoso que ele fazia na cozinha  - nunca ousou entrar no quarto, pelo menos não na minha presença - me faziam companhia. Eu podia dormir tranquilo. O rato, meu improvável cão de guarda rato pequeno, certamente me protegeria. Então eu dormia.)

A desfinalidade, pés bonitos, enormes, descalços, fincados no chão. Os textos bonitos interessantes das provas. Se perder naquilo. Descobrir curiosidades interessantes naquilo. A conversa constante comigo arrumando novos temas advindos desses estímulos sensoriais externos. 

Sim. É mais ou menos como voluntariamente dispensar o casaco, a blusa, com a intenção de sentir mesmo o frio. 

Foi isso então as provas? A gente não sabe mais nada depois dos 40. Ou um pouco antes. Sei é que fez me bem. O legal é  a comemoração. Dever cumprido. Cheguei no horário, portão fechando com estrondo no meu costado. Ah se esses moços soubessem o que eu acho que sei sobre eles! Precisava o estrondo do portão? Precisava. O riso gentil de pena viria no caso deu chegar cinco minutos depois. O olhar delicado de censura: "garoto (eles amam me chamar garoto apesar dos sinais físicos da idade), vê se se organiza melhor no ano que vem". E, dando as costas, um brilho intenso no olhar divertido, pros colegas: "Cuzao! SiFu. Tinha que ser..."

A comemoração. Boa. No bote do Centro. Coisa simples de mim pra mim. Mas ali na mesa, sentado sozinho e feliz, traçando o último teco de Xis Tudo com o último gole da quarta e última cerveja;  ali na mesa, lembrando feliz do tema da redação, das citações a Chico Buarque, dos vários e explícitos elogios à solidão, mormente num texto que me era inédito; ali, sob olhares sempre assustados e inquietos e inquisidores dos frequentadores, me lembrei do meu amigo Rato Pequeno Morto.

A vida é estranha e complicada. Freud, nem ele explica, não

Eu bem pensei que deveria ter trazido uma blusa, um casaco. 

Que frio, seu Moço, dona Moça! 

Mas que barulho agradável e conhecido é esse na cozinha? 

Seria um Outro Rato?

Queira Deus!

Eita, que soninho gostoso é esse?

Afinal, dormir.

Boa noite.


Escrito por Neguleu às 14h55
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