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Domingo , 29 de Junho de 2008


O LUTADOR (PARTE I)

O LUTADOR

 

 CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Carlos Drummond de Andrade

 

Lutar com palavras

é a luta mais vã.

Entanto lutamos

mal rompe a manhã.

São muitas, eu pouco

Algumas, tão fortes

como o javali.

Não me julgo louco.

Se o fosse, teria

poder de encantá-las.

Mas lúcido e frio,

apareço e tento

apanhar algumas

para meu sustento

num dia de vida.

Deixam-se enlaçar,

tontas à carícia

e súbito fogem

e não há ameaça

e nem há sevícia

que as traga de novo

ao centro da praça.

Insisto, solerte.

Busco persuadi-las.

Ser-lhes-ei escravo

de rara humildade.

Guardarei sigilo

de nosso comércio.

Na voz, nenhum travo

de zanga ou desgosto.

Sem me ouvir deslizam,

Perpassam levíssimas

e viram-me o rosto.

Lutar com palavras

parece sem fruto.

Não têm carne e sangue...

Entretanto, luto.

 

Palavra, palavra

(digo exasperado),

se me desafias,

aceito o combate.

Quisera possuir-te

neste descampado,

sem roteiro de unha

ou marca de dente

nessa pele clara.

Preferes o amor

de uma posse impura

e que venha o gozo

da maior tortura.

Escrito por Neguleu às 12h26
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O LUTADOR (PARTE II)

Luto corpo a corpo,

luto todo o tempo

sem maior proveito

que o da caça ao vento.

Não encontro vestes,

não seguro formas,

é fluido inimigo

que me dobra os músculos

e ri-se das normas

da boa peleja.

 

Iludo-me às vezes

pressinto que a entrega

se consumará.

Já vejo palavras

em coro submisso,

esta me ofertando

seu velho calor,

outra sua glória

feita de desdém,

outra de ciúme,

e um sapiente amor

me ensina a fruir

de cada palavra

a essência captada,

o sutil queixume.

Mas ai! é o instante

de entreabrir os olhos:

entre beijo e boca,

tudo se evapora.

O calor do dia

ora se conclui

o inútil duelo

jamais se resolve.

O teu rosto belo,

ó palavra, esplende

na curva da noite

que toda me envolve.

Tamanha paixão

e nenhum pecúlio.

Cerradas as portas,

a luta prossegue

nas ruas do sono.

Escrito por Neguleu às 12h22
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Domingo , 22 de Junho de 2008


UMA ORAÇÃO

Uma oração

 

JORGE LUIS BORGES

Jorge Luis Borges


Minha boca pronunciou e pronunciará, milhares de vezes e nos dois idiomas que me são íntimos, o pai-nosso, mas só em parte o entendo. Hoje de manhã, dia primeiro de julho de 1969, quero tentar uma oração que seja pessoal, não herdada. Sei que se trata de uma tarefa que exige uma sinceridade mais que humana. É evidente, em primeiro lugar, que me está vedado pedir. Pedir que não anoiteçam meus olhos seria loucura; sei de milhares de pessoas que vêem e que não são particularmente felizes, justas ou sábias. O processo do tempo é uma trama de efeitos e causas, de sorte que pedir qualquer mercê, por ínfima que seja, é pedir que se rompa um elo dessa trama de ferro, é pedir que já se tenha rompido. Ninguém merece tal milagre. Não posso suplicar que meus erros me sejam perdoados; o perdão é um ato alheio e só eu posso salvar-me. O perdão purifica o ofendido, não o ofensor, a quem quase não afeta. A liberdade de meu arbítrio é talvez ilusória, mas posso dar ou sonhar que dou. Posso dar a coragem, que não tenho; posso dar a esperança, que não está em mim; posso ensinar a vontade de aprender o que pouco sei ou entrevejo. Quero ser lembrado menos como poeta que como amigo; que alguém repita uma cadência de Dunbar ou de Frost ou do homem que viu à meia-noite a árvore que sangra, a Cruz, e pense que pela primeira vez a ouviu de meus lábios. O restante não me importa; espero que o esquecimento não demore. Desconhecemos os desígnios do universo, mas sabemos que raciocinar com lucidez e agir com justiça é ajudar esses desígnios, que não nos serão revelados.

Quero morrer completamente; quero morrer com este companheiro, meu corpo.

Jorge Luis Borges nasceu em 1899 na cidade de Buenos Aires, capital da Argentina e faleceu em Genebra, no ano de 1986.

É considerado o maior poeta argentino de todos os tempos e é, sem dúvida, um dos mais importantes escritores da literatura mundial.

"Seu texto é sempre o de uma pessoa que, reconhecendo honestamente a fragilidade e as limitações do ser humano,

nos coloca diante de reflexões nas quais, com freqüência, está presente o nosso próprio destino." (Miguel A. Paladino).

Algumas obras do autor:

- Fervor de Buenos Aires
- Lua de frente
- Inquisições (renegado pelo autor)
- O Aleph
- Ficções
- História Universal da infâmia
- O informe de Brodie
- O livro de areia
- O livro dos seres imaginários
- História da eternidade
- Nova antologia pessoal
- Prólogos
- Discussão
- Buda
- Sete noites
- Os conjurados
- Um ensaio autobiográfico (com Norman Thomas di Giovanni)
- Obras completas (4 volumes)
- Elogio da sombra


O poema acima foi extraído do livro "Elogio da Sombra", Editora Globo - Porto Alegre, 2001, pág. 75

(tradução: Carlos Nejar e Alfredo Jacques; revisão da tradução: Maria Carolina de Araújo e Jorge Schwartz).

 http://www.releituras.com/jlborges_menu.asp

Escrito por Neguleu às 18h00
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Terça-feira , 10 de Junho de 2008


TÔ DENTRO!!!

Escrito por Neguleu às 01h01
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Domingo , 08 de Junho de 2008


ALDIR BLANC DESCE A LENHA!

Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Nós, do Afgalisteu

 

ALDIR BLANC, PALMEIRA DO MANGUE.

ALDIR BLANC, PALMEIRA DO MANGUE.

Não é difícil, na política brasileira, achar figuras que nos provoquem tanto nojo quanto Bob Jefferson, Réu-nan Cagalheiros; os inúmeros juízes ab-solventes; Silvinho Meu Calhambeque; o falso moralista – e riquíssimo (cadê a Receita?) – Crasso Jereichato; o cara de palhaço Álvaro “Peruca” Dias ou O Vazador (toma Imosec) ou Agripino “Bochecha” Maia, que considera indigno mentir, sob tortura, para proteger companheiros de ideal (como se ele falasse a verdade...). Mas como o Brasil, a exemplo do futebol, é uma caixinha de surpresas, eis que surge a excrescência de Paulinho da Força. Faz força que sai (Freud estava certo quando associou merda a dinheiro). Força, Paulinho – o que Álvaro “Peruca” não precisa fazer pra rolar cocô. Paulinho (Força) Sindical, por ironia do destino, é do mesmo PDT que perdeu recentemente um homem de bem: o Senador Jefferson Péres. Esse era uma reserva moral de fato, ao contrário do que dizem de Jarbas “Fodam-se os Escrúpulos” Little Bird.

O deputado Paulinho – não confundir com Huguinho, Zezinho e Luizinho, embora nós sejamos patos – sujou a barra sindical que já é, faz tempo, pau de galinheiro. Ele, fazendo força, disse que seu nome aparecia, no inquérito sobre corrupção junto ao BNDES, 3 (três) vezes. Revendo direitinho as contas, verificaram que Paulinho não sabe somar, o que não é novidade. Seu nomezinho surge das sombras apenas 75 (setenta e cinco) vezes, o que deve ser um recorde até para a dupla, ainda solta, Mamaluf & Pittanic. Já o advogado do Pestinha, desculpem, Paulinho, argumenta:

- Grampos são apenas interpretações.

Sacaram? Você ouve uma fita:

- Tem que lembrar dos 10% do Paulinho!

- Certo. Já foi feito.

Ora, pode ser uma conversa sobre novenas rezadas por beatas para proteger o Frei Galvão do sindicalismo: 10% de todas as Aves Marias são do escrotinho, perdão, Paulinho. Que gente maldosa!

Esse é um dos maiores problemas brasileiros: perdemos completamente a confiança em nossos políticos. Que antipatriótico de nossa parte! Só por causa dos Anões do Orçamento; dos Mensaleiros, dos sucessivos presidentes daquela Casa de Tolerância e seus imbróglios, das vacas às mixarias pro restaurante funcionar; só por causa do escândalo envolvendo cartões corporativos; do Bob Jefferson dizendo na CPI : “Peguei 4 (quatro) milhões e não digo onde estão. Mato essa nos peitos”. Puxa, o bufão de opereta tem tetas maiores que as exibidas pela infeliz atriz norte-americana Jayne Mansfield num baile de gala do Teatro Municipal, lá pelos idos de 1950/60. Os bancos batem recordes sobre recordes em lucros, faturando em cima de taxas imorais; ministros são afastados por corrupção; um ex-presidente do senadinho comprou galinha por novilha – um calvário, pra quem é dono de uma cidade inteira; sacas e malas com dinheiro vivo trocam de mãos (ou de patas) entre empreiteiros, lobbistas, laranjas e outros frutos da cegueira governamental; pastores evangélicos metem dólares na bíblia e culpam os filhos; assassinos óbvios, já condenados, são absolvidos depois de ameaças aos apavorados membros do júri; capangas matam por amor ao patrão. Teve até terremoto! A terra tremeu quando soube que o Corregedor da Câmara é o Inoçonso (PR-PE).

Paulinho não tem vacas e bodes, nem piranhas como o Réu-nan, ou o modesto rebanho do Roriz. Paulinho tem arapongas! Se continuar nessa batida, vai construir um porão com torturadores de confiança, sangue novo, jovens dinâmicos, nada daqueles incompetentes que explodiram até os próprios culhões no Riocentro. Bolinha, quer dizer, Paulinho, pretende pressionar Tarso Genro, que é só Ministro da Justiça, uma folha ao vento, diante das massas que Paulinho representa.

           Um lobbista entrou no gabinete de Paulinho carregando a eterna mochila. Não há nada de errado nisso. Era alpinista ou estava só levando o Paulinho para Escola Ursinho Gatuno, na qual ele cursa, com notas altas, todas de 100, o primário? Paulinho ainda pretende processar a imprensa que denunciou as falcatruas do BNDES. Isso mesmo, força! Joga a fralda cagada no ventilador. Olha, pede pra tua secretária passar Drapolene nas assaduras do teu rabo preso.

Todos os envolvidos no cagalhetê se declararam inocentes mas, por vias urinárias das dúvidas, pediram habeas-corpus.

            No caso da Prefeitura de Praia Grande, um contratinho de apenas 130 milhões de reais, só 1 (um) milhão foi destinado ao “custo político”. Que fique cravado nos anais de nossa história esse exemplo de propina módica, ao contrário dos exorbitantes subornos pagos por empreiteiros, ruralistas, usineiros, etc.

O BNDES não é “caso isolado”, como diziam os gorilas no tempo da ditadura. Há varreduras e vassouradas em Furnas, na Eletrobras, na Eletropaulo (será a eletro do Paulinho?!?), financeiras diversas. Os planos de saúde jogam uns barros na assepsia e matam. Imaginem que querem considerar o stent, um dispositivo que salva milhares e milhares de vidas no mundo todo em cirurgias cardíacas, uma “operação cosmética”, só pra não ressarcir o que já foi pago. É porque não é no cu deles, de onde saem os barros.

            Não tem água na bica, mas somos arrastados e mortos pelo mesmo elemento em qualquer toró (não confundir com o quebra-tíbias do Fla) de merda. Ficamos engarrafados horas e, quando nos livramos, uma bala perdida nos carimba a testa com o certificado: “Conseguiram passar desta para a melhor”.

Como se não nos bastassem os combates intestinos, os defensores do Ocidente – depois dos massacres promovidos no Iraque e no Afeganistão – querem a Amazônia e nossas águas territoriais por meio de “tratados” (os índios americanos conhecem bem o resultado desses dicumentos) ou do big stick. Um babaca disse que é mole comprar a Amazônia por 50 bilhões de dólares. Além de babaca, é ladrão e/ou desinformado. Recente pesquisa da ONU, só para a área de medicamentos a partir da fauna e da flora, estimou a Amazônia em cerca de 3 (três) trilhões de dólares. Por aí, dá pra vocês verem que eles não vacilarão na hora de invadir... Em cada esquina de nossas cidades, outrora cruzamentos bucólicos, bandos de viciados fumam pedra.

Numa frase famosa, sobre a snob corrupção britânica, o escritor Graham Greene girou a metralhadora: “Se é pra isso, que venham os russos”. Nós não temos alternativas, mesmo retóricas. Que venham... que venham... O quê? Quem? O general Custer? O DEM? O PDT do Paulinho? O caralho a quatro? Delegados comprando pão, cumpridores da Lei, são executados com tiro na nuca. O primeiro suspeito, da PM, já foi queimado. Os colarinhos brancos não trepidam diante da roubalheira porque há o Supremo como última instância, que os soltará para merecidas férias em Roma, Paris, Amsterdã (essa tem haxixe em buteco, putas na vitrine e diamantes baratinhos. Pra quem já teve um ministro da Justiça com a poupança chafurdando em gemas...).

Quem está com a razão nessa selva caótica é o rubronegro Ronaldo, o Fenômeno: “Não tem cu, vai cu mesmo”, uma grande frase à qual acrescento outra, do meu afilhado Basile, num carteado do Momo:

- Salve-se quem fuder!

Mas nem tudo está perdido: vamos, com nossa criatividade e tecnologia de ponta, fabricar caças a jato. Traficantes da Mangueira, aqueles que construíram a fortaleza com seteira e tudo, já encomendaram o primeiro. Carece de fundamento a notícia de que um grupo do BNDES ligado a Paulinho estaria intermediando a compra da aeronave.

No exato momento em que termino esse textículo, dá no jornal que cúmplices de Pau-Linho tiveram passagens e estadias pagas por um prostíbulo. Não há tanta diferença assim entre lupanares e instituições financeiras dirigidas por Sacacciolas, Caymans de Sá e outros ternos de grupo e de grifes. Há ligações entre o esquema de Paulinho e a notória cadeia (que não se perca pelo nome) de lojas Marisa. Uma pergunta: porque o BNDES empresta milhões e milhões a esses antros? O triste é que, com o exemplo de Paulinho, numa das forças fundamentais na luta contra a ditadura já deve haver vários elementos pensando não em escolaridade para seus filhos, melhor saúde, lazer, distribuição de renda..., mas em como aliar-se ao trambique. Parafraseando uma citação famosa: a carne é fraca e eles não leram livro algum.

Meu mote, de várias matérias anteriores, se encerra por hoje: por que o Marcola se regeneraria.

 

( Texto retirado do blog de Aldir Blanc, http://www.palmeiradomangue.blogspot.com/ )

 

 

Escrito por Neguleu às 10h56
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Óia Eu Aqui!



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